
Especiais
20.4.2022
Escolas de samba – Invenção popular e tensão social
Rachel Valença, coordenadora de literatura do IMS, é uma das pessoas que conhecem melhor a história das escolas de samba. É jurada do tradicional prêmio Estandarte de Ouro e autora de, entre outros livros, “Serra, Serrinha, Serrano – O império do samba” (com Suetônio Valença). Agora em 2022, quando se completam 90 anos do primeiro desfile, ela conta essa história com riqueza de informações, além de iluminar os aspectos principais. Por exemplo: a passagem da marginalidade à aceitação social, necessária para o avanço das escolas, mas que as levou a ter de cantar a história oficial, da Casa Grande. A partir dos anos 1960, elas conseguiram exaltar seus próprios heróis, como personalidades negras. Mas é permanente a tensão entre os verdadeiros sambistas e os que tentam controlar a festa.
Rachel combina relato e ensaio em seu roteiro, apresenta sambas significativos e marca posição: “Nada é mais tocante para mim do que o momento em que as escolas de samba falam do seu próprio sentido na vida dos sambistas. Finalmente, elas mostram ter consciência do seu real significado. E voltam àquele início glorioso em que, mesmo sem consciência disso, queriam com o samba garantir seu lugar na sociedade de um país que ajudaram a construir, física e culturalmente”.
Repertório
Sala de recepção (Cartola) – Cartola e Creusa Cunha
Homenagem (Carlos Cachaça) – Carlos Cachaça
Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo) – Trio de Ouro e Castro Barbosa
Conferência de São Francisco (Paz universal) (Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola) (Prazer da Serrinha, 1946) – Abílio Martins
Exaltação a Tiradentes (Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva) (Império Serrano, 1949) – Roberto Silva
Chica da Silva (Anescar e Noel Rosa de Oliveira) (Salgueiro, 1963) – Zezé Motta
Iaiá do Cais Dourado (Martinho da Vila e Rodolpho) (Unidos de Vila Isabel, 1969) – Martinho da Vila
Bum bum paticumbum prugurundum (Aluísio Machado e Beto Sem Braço) (Império Serrano, 1982) – Quinzinho
Pra tudo se acabar na quarta-feira (Martinho da Vila) (Unidos de Vila Isabel, 1984) – Marcos Moran, Gera e Valcy
Gosto que me enrosco (Noca, Colombo e Gelson) (Portela, 1995) – Rixxa
Pequena África: da escravidão ao pertencimento. Camadas de memória entre o mar e o morro (Junior Fionda e 14 parceiros) (Acadêmicos de Vigário Geral, 2022) – Tem Tem Júnior
Roteiro e apresentação: Rachel Valença
Edição: Filipe Di Castro