Escolas de samba – Invenção popular e tensão social
Porta-bandeira Mariazinha e mestre-sala Sergio Jamelão no desfile do Império Serrano em 1982: "Bum bum paticumbum prugurundum". Foto de Luiz Pinto/Acervo pessoal Rachel Valença

Porta-bandeira Mariazinha e mestre-sala Sergio Jamelão no desfile do Império Serrano em 1982: "Bum bum paticumbum prugurundum". Foto de Luiz Pinto/Acervo pessoal Rachel Valença
Especiais
20.4.2022

Escolas de samba – Invenção popular e tensão social

Rachel Valença, coordenadora de literatura do IMS, é uma das pessoas que conhecem melhor a história das escolas de samba. É jurada do tradicional prêmio Estandarte de Ouro e autora de, entre outros livros, “Serra, Serrinha, Serrano – O império do samba” (com Suetônio Valença). Agora em 2022, quando se completam 90 anos do primeiro desfile, ela conta essa história com riqueza de informações, além de iluminar os aspectos principais. Por exemplo: a passagem da marginalidade à aceitação social, necessária para o avanço das escolas, mas que as levou a ter de cantar a história oficial, da Casa Grande. A partir dos anos 1960, elas conseguiram exaltar seus próprios heróis, como personalidades negras. Mas é permanente a tensão entre os verdadeiros sambistas e os que tentam controlar a festa.

Rachel combina relato e ensaio em seu roteiro, apresenta sambas significativos e marca posição: “Nada é mais tocante para mim do que o momento em que as escolas de samba falam do seu próprio sentido na vida dos sambistas. Finalmente, elas mostram ter consciência do seu real significado. E voltam àquele início glorioso em que, mesmo sem consciência disso, queriam com o samba garantir seu lugar na sociedade de um país que ajudaram a construir, física e culturalmente”.

Repertório

Sala de recepção (Cartola) – Cartola e Creusa Cunha

Homenagem (Carlos Cachaça) – Carlos Cachaça

Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo) – Trio de Ouro e Castro Barbosa

Conferência de São Francisco (Paz universal) (Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola) (Prazer da Serrinha, 1946) – Abílio Martins

Exaltação a Tiradentes (Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva) (Império Serrano, 1949) – Roberto Silva

Chica da Silva (Anescar e Noel Rosa de Oliveira) (Salgueiro, 1963) – Zezé Motta

Iaiá do Cais Dourado (Martinho da Vila e Rodolpho) (Unidos de Vila Isabel, 1969) – Martinho da Vila

Bum bum paticumbum prugurundum (Aluísio Machado e Beto Sem Braço) (Império Serrano, 1982) – Quinzinho

Pra tudo se acabar na quarta-feira (Martinho da Vila) (Unidos de Vila Isabel, 1984) – Marcos Moran, Gera e Valcy

Gosto que me enrosco (Noca, Colombo e Gelson) (Portela, 1995) – Rixxa

Pequena África: da escravidão ao pertencimento. Camadas de memória entre o mar e o morro (Junior Fionda e 14 parceiros) (Acadêmicos de Vigário Geral, 2022) – Tem Tem Júnior

Roteiro e apresentação: Rachel Valença

Edição: Filipe Di Castro

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